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Sirvam-me um copo

Sirvam-me um copo que me leve toda esta amargura. Não vou dizer que são os fantasmas do passado que me assombram diariamente, apesar desses também ajudarem não são os únicos tormentos.
Vozes hipócritas ecoam e pesam como aço, arrasto o meu andar dia e noite de cabeça baixa e lábios cerrados... tento me exprimir mas o ambiente é demasiado pesado nesta casa e muito mais nesta vida.
Sirvam-me um copo que me faça esquecer todos os sonhos que não vou poder concretizar para ganhar o orgulho da minha mãe.
Sirvam-me um copo de coragem para enfrentar toda esta vida que não vivi e que tem de tudo para me dar os mais inúmeros momentos recheados de lembranças que vou recordar até o destino me levar no sono profundo que calha a todos eventualmente.
Sirvam-me um copo que saiba ao pecado que foi não o ter, que saiba ao que a sua pele tem para oferecer ao paladar. Um simples pecado humano, tão carnal como primitivo, que grita nos nossos olhares cada vez que nos cruzamos.
Sirvam-me um copo para entornar este desgosto que fui ganhando pelo mundo ao longo da minha juventude.
E, por fim, sirvam-me o hábito num copo mais cheio para que me habitue mais facilmente à rotina que me recuso a ter num gesto quase auto-destrutivo de desperdiçar os dias.


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