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laranjas e café

Saberás o sabor das laranjas com que te fazia o sumo para o pequeno almoço desde que te mudaste cá para casa? Será que te lembras alegremente ou terás esquecido com grande ferocidade todas as memórias que te colocariam novamente nos meus lençóis. Ainda não entendi a noite em que me deixaste... o cheiro da nicotina agarrado ao teu cabelo, o hálito notório de absinto e outra mistura qualquer que tive dificuldade em entender qual seria... o andar desleixado, a maquilhagem em excesso, a roupa amarrotada.
Diz-me (por favor, eu imploro), valeu a pena? Ainda estão juntos? Ele mantém-se ao teu lado mesmo nas tuas crises de pânico onde te desvaneces por completo entre ti mesma?
E o cheiro do café? Aquele que fazias compulsivamente para suportar apenas mais umas horas acordada... como eu adorava acordar de manhã com o cheiro do café na tua pele e o aroma das laranjas nas minhas mãos... como eu vivia para essas manhãs...
De onde veio aquela mulher naquela noite enquanto me rasgavas a alma tão outrora intacta por ti?
Hoje a casa está vazia e eu durmo no sofá porque o quarto está cheio do teu cheiro... deixei de beber café e já não faço sumo, tenho sido eu e a máquina de escrever que tu tanto odiavas o teclar barulhento. Agora faz eco para preencher o vazio da tua presença.

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