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Conheci-o em sonhos

Vi-lhe o sangue seco espalhado pelas costas, ao limpá-lo entendi os cortes profundos que o preenchiam, "golpes do destino" sussurrava-me ao ouvido. Beijei-lhe as feridas, como se aquela pobre alma fosse encontrar paz e cura nos meus amargos lábios gretados.
Sempre tentei defender todos de tudo, sempre partilhei aqueles abraços que acreditava que eram um escudo para toda a arrogância do mundo, contudo nunca me soube defender de mim mesma, de todos os monstros que a minha mãe grita que sou.
Conheci o rapazinho torturado num dia em que desperdicei todas as suas horas deitada numa cama desarrumada. Ele falava com a convicção de um herói mas reagia com medo ao toque humano como se cada carícia fosse um estalo de uma mão coberta de espinhos.
Falámos por momentos enquanto o segurava nos braços, era inteligente e bonito (o sangue cobria-lhe maior parte do rosto e o suor desmazelava-lhe o cabelo, mas notava-se a beleza da sua inocência), foram conversas agradáveis.
Acabou por morrer nos meus braços e eu acabei por me aperceber que um dos meus monstros me tinha vencido.
A vida é uma guerra onde nós somos o bem e o mal em cada extremo do campo de batalha.
Qual vais alimentar primeiro? A qual é que lhe vais dar nome?

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