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Camisolas de inverno

Por vezes sabe bem, acordar numa cama que não é nossa com alguém que não nos pertence.
Admite. Parecias tão sereno de olhos fechados, com a respiração pausada e gestos de quem está a sonhar com os problemas da vida (recordo a tua imagem de todas as vezes em que adormeceste debaixo das mesmas mantas que o meu corpo).
Desta maneira não me contas nada e eu não me sinto obrigada a partilhar cada detalhe de uma vida que desconheces, desta maneira somos abertos ao mundo e ao que ele nos dá mas, contudo, para mim, és um livro fechado que nunca pretenderei ler. A capa é tão bonita e interessante só por si, mas vamos ficar por aí.
Agora admito eu que era melhor se a cama fosse nossa, se a pessoa nos pertencesse, se em vez dos gestos preocupados enquanto sonhasse acordado comigo já que os problemas da vida eram um defeito mínimo numa camisola amarrotada e demasiado grande para os meus braços de menina, um defeito na mesma camisola que me emprestaria todas as noites em que eu me iria queixar com frio.
Só me iria dizer inocentemente: "ficas mais bonita com a minha roupa, é bom ver-me em ti dessa maneira".

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