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ausência de cor

Não te vejo, e, talvez, fisicamente, nunca te verei.
Mas decorei, logo pela primeira vez que me deixaste percorre-los suavemente com a ponta destes meus dedos sedentos de ti, todos os traços do teu corpo, cada feição do teu rosto.
Viveria num mundo com todos os tons da tua voz pois são eles que substituem todas aquelas cores que me falas e desconheço: como tu me descreves o "branco" das nuvens, a sua beleza e a tristeza que sentes por não chegares mais alto, por não lhes puderes tocar ( relaciono-o com a tua ausência ); falas-me do verde dos campos e em, como garota, adoravas correr aos trambolhões por eles ( lembra-me a liberdade com que me deixas correr, desleixadamente, pelo teu corpo, a sensação de te ter, o meu instinto animal ); o tom com que anseias pintar o cabelo de "loiro", fico confuso porque loiro não tem som de ser cor ( de qualquer das maneiras, para mim, é a cor do cheiro do teu cabelo, a cor da calma e conforto que é estar mergulhado nele ).
Estranhamente, apenas me falaste uma vez do "preto", e, como o "preto" era a ausência de cor e como esta deveria ser a minha realidade e como só me deveria sentir... Perguntei-te, nesse mesmo dia, que se com a tua plena visão nunca havias te sentido sozinha.... se a solidão tinha mesmo um tom, tanto na minha paleta como na tua... ( nunca me respondeste então nunca lhe atribui qualquer significado, qualquer existência ).
Entretanto, criei um mundo colorido pela tua voz, sem ausência de cor.

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