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a rapariga dos meus sonhos, a arte e um cigarro

Encontrei-a a fumar um cigarro e a bebericar de uma imperial já meio morta. Fiquei estupefacto com a sua dança estática e como as nuvens de fumo lhe saiam dos lábios. Tudo nela me puxou para lhe perguntar, educadamente, o quanto consegui ser mesmo embriagado, se me poderia sentar na cadeira à sua frente. Ela acenou com um leve sorriso.
Era uma companhia extremamente agradável, riso contagiante, perguntei-me mentalmente se tocar nela seria como um cheiro de cocaína...
Falámos durante horas... o básico, a faculdade, o nome, a música.... mantive-mo-nos pelas artes e desejei criar o corpo dela numa tela e por momentos achei que ela me quisesse pintar em palavras.
Ela vinha de uma família de artistas, esta merda corre-lhe no sangue... escreve a dor dos outros e vive-a como quem vive uma traição em Paris como se fosse uma história de amor do século XXI. E, eu tento e vou tentando até me tornar decente no papel, em rabiscos de lápis e pastel, aperfeiçoou-me até escapar do medíocre.
Ela tinha uns olhos da cor da noite e eu, fraco, tinha vontade de a beijar.
Respiro fundo, guardo para mim o desejo.
Falamos mais um pouco, mais umas horas... ela fala que tem namorado, nota-se que está feliz com ele... mais uma fez penso para mim mesmo se ele a merecerá...
Levanto-me, vagueio... "desculpa mas tenho que ir, não consigo prometer que este corpo se controle para me manter afasto do teu..." 

1 comentários

  1. Gosto. Mas porquê tanto fatalismo? Bem sei que a escrita mais fácil é a 'noire', mas se tens talento.... Gostei. Do ambiente imprimido, da adjetivação:-)

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