Slider (Add Label Name Here!) (Documentation Required)

Amores de Metro

De onde é que apareceste?
Uma capa sem imagem, um título que me sussurraria ao ouvido para o ler, com jeito conquistador, como quem te olha (assim como nos filmes) e nem te dirige a palavra (gosto de lhes chamar "amores de metro"); e eu, inculta, mergulharia na primeira página a desejar saber ler rapidamente para te descobrir no final, e, ao mesmo tempo, ser possuidora da sabedoria para absorver cada frase, desvendar cada palavra, deixar cada página em branco como se te despisse sem que fosse necessário tocar no tecido da tua roupa.
Se pudesse, comprava-te (!) nada de alugar ou requisitar numa biblioteca vulgar por meramente quinze dias e muito menos fotocopiar cada página para perder a essência do teu cheiro, nada de traficar o conhecimento que apenas tu possuis. Não importaria o preço, nem que os meus bolsos ficassem a dever meia dúzia de tostões a alguma alma caridosa que me faria algum empréstimo... para te poder folhear, sentir que eras meu, valeria a pena.
Não te esqueceria no meio dos outros e do pó que cobre o monte de capas duras já lidas na minha mesa de cabeceira... todas elas uma história... nenhuma delas tu.
Ainda penso que tipo de livro serias... talvez, um cheio de poemas sobre os desgostos e desamores da tua vida e eu, ingénua, tentaria cuidar cada ferida que tu tentaste, em vão, curar desleixadamente... talvez fosses uma narrativa de mistérios e eu adormeceria a tentar desvenda-los a todos... ou, talvez fossemos parte do mesmo livro, uma epopeia de amores escondida numa livraria antiga, talvez uma garota adolescente, provavelmente, no esteja a ler neste momento e nós ainda não saímos da primeira página.
Ou talvez, sejamos um conto de um escritor nos seus quarenta e poucos a imaginar a história com a rapariga que se cruzou no metro, há uns bons anos esquecidos, que teimou em desaparecer no meio da multidão não deixando sequer a remota hipótese de ele a amar e dela se deixar ser, nem que fosse só, uma noite bem passada.

0 comentários:

Enviar um comentário