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Conversas de balcão

- Serve-me mais um copo, por favor. Ah... e cheio, que a minha vida está tão vazia... desde que ela foi embora. DESGRAÇADA. Levou-me e deixou este corpo arrastar-se por ruas sem ter sentido. A cada altura complicada ela sumia com as amigas, ia dançar para as discotecas com quem lhe oferecesse a bebida mais cara. Pensava que partilhávamos a cama com o mesmo significado. Parece-me que o sexo era tudo para ela. Ou o sexo ou o dinheiro. Mas eu não tenho nada... não tenho dinheiro, o meu teto é pequeno e as paredes são frias... mas eu tenho tanto amor para dar. Onde o guardo? Ela não o quis e eu qui-la tanto. Tanto tempo fora de mim para estar noutra pessoa que cheirava a tantos lençóis alheios. Desculpa, enche-mo outra vez. Duplo e forte. Como ela. Aquele caráter de quem me dominava só com um toque, uma palavra. Ela chamava-me e eu ia. Mas que PUTA. Quero-a de volta. Agora evita-me na rua... tivemos dias tão bem passados colados em pecados carnais, tão cru, tão puro... TUDO MENTIRA. Perdi o amor da minha vida por o ter encontrado numa mulher que não me vê. É tarde. Devia ir para casa. Mas voltar para quê? Para as minhas paredes frias? Para uma cama onde ninguém me protege do frio? Deixa a garrafa, acho que é melhor. No início é tudo rosas mas nunca ninguém pensa nos espinhos. O cupido, se é que existe, enganou-me bem desta vez, a besta. Mas estúpido sou eu que não soube ver que por debaixo de tanta maquilhagem tinha o diabo comigo na cama, que por debaixo do vestido preto de veludo que lhe fazia parecer um anjo andam as mãos de outro homem... Onde é que eu, alguma vez nesta vida ridícula, iria ficar permanentemente com uma mulher como ela... olhos de víbora que cegavam qualquer um... e eu ceguei eternamente. A garrafa acabou, tragam-me a conta.

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