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Incendiário

Chegando o Outono pedes-me que espere por ti à porta, dizes que não demoras... então, solitária e pensativa, fico sentada a perder a paciência e a ver passar as horas sem reclamar uma única palavra. Acabo por não deixar que ninguém se sente ao meu lado para me fazer companhia pois morro na esperança que chegues apenas um pouco atrasado para nunca mais me largares. Vou perdendo as minhas folhas durante a espera, como se me despisse para a tua chegada. A minha árvore já se encontra nua de braços abertos. Por onde andas? Começo a ter frio...
Chegas quando já é Inverno e eu desmonto-me, cedo a qualquer traço teu. Aqueces-me do frio e eu esqueço-me do tempo que perdi à tua espera. São dias chuvosos aconchegada no teu peito no sofá de tua casa, só tem frio quem não te tem. Esse Inverno ardi por tua culpa, incendiário.
Mas os dias vão aquecendo só por si e quando já dizemos que é Primavera tu largas-me a mão e só me queres quando eu me canso e a última palavra é de negação. Atravesso a estação florida mas encontro-me murcha e sem vida, não me deixas fluir com esses teus regressos nos dias mais friorentos. Apesar do aumento de temperatura tenho frio. Vou colhendo alguns abraços mas nenhum me satisfaz, nenhum me queima. Mais uma vez... Por onde andas?
Só peço que já não voltes para que neste Verão não me vejas a tentar esquecer-te.
Porque é que me tornaste em cinzas Incendiário?

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