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Colónia

(10 anos mais tarde)

Encontrei-o no meio da rua na outra tarde quando andava a fazer compras para os miúdos, parecia atarefado e um tanto envelhecido, julgo que após tanto tempo todos nós o parecemos. Senti uma vontade soberba de correr ao seu encontro para sentir mais uma vez o seu cheiro. Pergunto-me se o perfume ainda será a mesma água colónia rasca que se compra em qualquer supermercado. Lembrei-me daquele crepúsculo... depois da sua partida o meu quarto guardou aquele cheiro misturado com o de beatas abandonados no cinzeiro que escondia debaixo da cama, recusei-me a lavar os lençóis durante dias para parecer menos real a sua partida. Houve uma noite em que, finalmente, os lavei, queimei a sua nota de "não despedida" e sai de casa sem ser apenas porque tinha que ser. Vagueei durante horas pela baixa e entrei no primeiro bar que não me pareceu nem totalmente apinhado nem totalmente vazio. Nas seguintes horas fui abordada por um rapaz muito simpático que parecia usar a mesma colónia... deixei-me levar. Deixei que me tocasse na esperança das minhas roupas guardarem, mais uma vez, aquela essência, mais tarde iria guardá-las em segredo. Quando dei por mim vi-o do outro lado do bar, desejei que ele não me visse a esquecê-lo com o rapaz do cheiro idêntico ao do homem que roubou a alma na minha própria cama. Ignorei-o nessa noite e voltei a ignorá-lo nessa tarde. Antes de voltar para casa passei pelo supermercado. Comprei uma colónia para guardar em segredo.

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