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Monólogos Dementes (Parte I)

- Ela ainda sente a calçada desfigurada que lhe morre nos pés e sente-se inacabada, como se fosse uma obra de arte perdida num ateliê na baixa. Outrora fora imaginada e tecida com mãos leves, criada como prova de amor numa noite onde duas pessoas entraram no mesmo universo sendo unicamente uma. Tenho pena dela. Já nenhumas mãos lhe tocam, nenhum homem a termina. Não se sente capaz de se terminar a ela mesma, limita-se a existir naquele espaço empoeirado onde a criaram sem se deixar apreciar. Ela não deixa de ser bela à sua maneira, não deixa de estar presente por estar incompleta, apenas deixa-se desmotivar pelas vozes do seu consciente que a derrubam como um castelo de areia feito pelos filhos que nunca teve. É como um dia de sol numa hora de aguaceiros, nasce-lhe a beleza do arco-íris, o brio da vida nos olhos e ela nem nota porque se recusa a olhar ao espelho, porque se recusa a aceitar a obra prima que o reflexo lhe revela. Pensa, em formato de tempestade, que a vida é só os dias em que sente os altos e baixos do passeio que a encaminha e que é a escuridão do final que lhe vai trazer a calma que sempre desejou. Mal ela sabe que é vida em movimento e que nunca ouve arte mais bela.

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