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Amantes em papel e poesia

Ela, não sendo mais do era, apanhava metros aleatórios sem rumo certo. Nas suas viagens escrevia mundos no seu caderno amarrotado, nem todos eles belos, nem todos eles infernais.
Nunca se vira coração tão puro. Nunca se vira pois maioria apenas notava a sua cara de menina e beleza peculiar. Ela não sabia ver as pessoas. Via os sonhos expostos na flor da pele.
No metro, sempre acomodada num ou noutro banco, trocava olhares e vivia amores sofridos por nunca ter coragem para falar. Contudo, mais tarde, escrevia sobre os olhos do desconhecido e cobertos por papel e poesia seriam amantes.
Ela receia, mas só após o batimento das doze badaladas quando se mantém imóvel na sua cama solitária. Receia, que um dia, fique presa numa dessas trocas de olhares, que lhe roubem a alma e que ame fora do papel.
Um dia ela amará sem coragem para o dizer, um dia todo o seu caderno falará sobre um olhar que encurralou e serão mais do que amantes, serão destino numa cidade de papel.
E ela, não sendo mais do será, apanhará o mesmo metro até que se cruzem novamente e ela tenha coragem de falar tudo o que rabiscou.

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