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"putas e vinho verde"

A marca, a cor, o sabor, o ano de colheita. É tudo o que interessa. "Putas e vinho verde", gritam eles. O tom em que proferem a frase ofusca a mentira que esta transmite.
A marca da roupa, a cor do cabelo e da pele, o sabor da sua intimidade, a idade da sua inocência. "Putas", dizem eles... "putas" porque as querem seduzir no meio das luzes barulhentas, dos passos embriagados, "putas" porque não se dão ao trabalho de saber o nome, "putas" porque sempre que falam delas cospem no prato do costume.
Mas apenas chamam "putas" às raparigas que se deixam seduzir por homens como aqueles que lhes dão o título. A ironia mantém-se constantemente presente na situação descrita. Ninguém nota, porque é hábito o homem ficar por cima e o rumor que uma mulher baixa as cuecas para subir no pódio é sempre assumido como verdadeiro.
Ponham-se no corpo duma mulher, sintam as palavras proferidas como um insulto, sintam-se como um objeto sexualizado pelas curvas, repitam a frase com orgulho.
Acompanham sempre "putas" com o vinho verde. A masculinidade de beberem vinho conhecido como o acompanhamento líquido de refeições compostas por peixe enquanto vão para a cama com uma nomeada "puta" deixa-me confusa.
Gritam com orgulho. "PUTAS E VINHO VERDE". E depois desejam ter os braços das suas mulheres abertos quando chegam a casa, o carinho de chegar a casa, o coito que levaria à criação de uma prol.
Entretanto gritam "putas e vinho verde" porque o sonho não fala mais alto que o ego.

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