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Evasão

O ambiente pesa, o ar escapa-me e por momentos parece não querer voltar. A aflição invade-me e há um crescente desejo de evasão que nasce em mim, o desejo de separar a alma do corpo.
Os gritos ecoam dentro da minha cabeça como um disco riscado, perdem o sentido a cada repetição mas todas as vezes conseguem ser um tormento, um arrasto de emoções carregadas ao longo do dia.
Confesso que palavras já me magoaram fisicamente, cortaram-me a pele, rasgaram-se em lágrimas por desespero e raiva, fizeram-me sentir a fragilidade da vida. Cheguei a um ponto em que troquei pontas mais afiadas por ambientes mais pesados e fumos mais densos. Acendo e apago cigarros como se não passassem de uma brincadeira para miúdos, como se não levassem minutos da minha frágil vida entre aquele nevoeiro com um cheiro característico que me seduz.
O ambiente voltou a pesar mais um pouco esta noite, entre pesadelos e insónias fizeste-me sorrir mas não foi o suficiente. Quis acender um cigarro, quis apagar mais um pouco do meu tempo, quis desaparecer como o fumo sem ninguém notar a minha ausência.
Um dia irei concretizar esta alma faminta, um dia irei conhecer-me no meio de ruas de uma cidade qualquer, um dia irei apagar um cigarro sem vontade de acender outro, um dia o ar estará mais leve e respirar não será um problema, um dia farás-me sorrir e será o suficiente para viver mais um dia, será o suficiente para me fazer feliz.

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