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Temperaturas

Avanço calmamente confiante de todos os meus traços e contornos em direção a uma companhia atenta e pouco iluminada. O ato de tirar a roupa torna-se uma arte quando a outra metade faz a sua parte. No entanto torna-se complicado, os copos a mais deixaram-me a visão turva e a minha companhia torna-se cada vez mais desejável, não recuo.
A atração é inegável e eu sou um mistério de uma noite mais alegre, envolvemo-nos em lençóis (talvez nos tenhamos esquecido de nos cobrir por estarmos cobertos um no outro). A música, os gemidos, as gargalhadas, as marcas... esqueci-me de sentir, a noite está quente e a minha cabeça fora de lugar.
Trancados num quarto onde todos os gritos são de prazer, as discussões ficaram à porta assim como a noção do tempo, não há hora de partida portanto ficamos os dois numa partilha de movimentos e experiências. Inibidos de qualquer pensamento o quarto apenas aquece e já somos apenas um só.
No final vestir-me já não é uma arte, a minha cabeça já não se encontra turva, o meu companheiro agora apresenta-me um silêncio constrangedor, porém vejo-lhe o sorriso satisfeito no rosto.
Despeço-me sem grandes despedidas, abandono o quarto. Enfrento um choque de temperaturas, que vida tão fria.

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