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Noites frias do bairro

Conhecia as noites frias do bairro como conhecia os tons da voz que não lhe saía da cabeça. Deixava-se levar pelo vento da cidade embriagada nas horas em que estar em casa nem era uma opção. Ambiente pesado, coração destroçado, corpo intacto mas o ser massacrado.
Corria-lhe o álcool nas veias e o sangue já era uma mancha natural nas suas roupas, os seus lábios já carregavam o típico sabor da droga branca que os becos lhe orientavam. De qualquer das maneiras ele deu-lhe abrigo.
Percorreram uma noite numa cama onde ele seria apenas mais um corpo e onde na cabeça dela o rosto seria sempre o mesmo que lhe tinha levado a refugiar-se em tantos vícios e nunca o que estava diante de si. Poderia ter gritado o nome errado, ele não ouviu. Estava totalmente vidrado na pele, nos contornos, no brilho, no intelecto que ela emanava no seu colchão.
Perderam-se os dois, entre a ilusão e o raciocínio. Os barulhos da rua misturaram-se com o silêncio que restou entre ambos. Corpos tão perto, mentes a milhas.

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