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Velhos hábitos

Já me cheguei a cruzar na esquina do amor com o ódio, num beco de amassos e discussões, sem laços nem razões suficientes para decorar nomes, datas ou o que quer que seja.
Já me esqueci do calor interior que provocava, do sentimento que me tomava, de como pronunciava as palavras e de todas as vezes em que mentia e dizia que era apenas eu. E a maneira de como fingia que me ouvia... por momentos pensei que tinha uma voz, por momentos pensei que fosse conseguir lidar com um "nós". Fui cega, tornei-me muda e para me erguer duma vez por todas tornei-me surda à voz alheia, tornei-me gelo ao abraço mais próximo.
Apenas não me esqueci do aspeto do rosto que me deliciou mais que o primeiro cigarro da manhã, não me esqueço dos olhos cafeína que me despertaram para um viver mais intenso que nunca voltarei a presenciar novamente, nem me esqueço do sabor carnal que dançou comigo uma noite inteira, que prevaleceu, secretamente, um desejo constante.
Adorava voltar à rotina para a qual me sugava mas não me lembro de gostar o suficiente do envolvimento vicioso para voltar a cair na tentação de rezar a mais um Deus que não existe, para voltar a louvar alguém que carrega a mentira cerrada no olhar.
Agora, querendo-me entregar a velhos hábitos, viro costas a vontades tentadoras que gritam o meu nome, a vontade de ter o pecado cravado na pele, a vontade de provocar, todas as vezes em que o toque for permitido, o arrepio mais satisfatório.

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